Estratégia Portugal 2030

Um país competitivo externamente e coeso internamente.

Um dos desafios de Portugal para o horizonte 2030 é garantir simultaneamente uma coesão interna, com o aumento da sua competitividade externa. Atualmente Portugal encontra-se profundamente dividido entre os territórios ao longo da faixa Atlântica com os territórios ao longo da fronteira com Espanha. Os territórios do interior apresentam diferenças socioeconómicas e demográficas abismais face aos restantes da Península Ibérica, condicionando as oportunidades de cooperação e de integração destes. Apesar de ser a fronteira mais antiga e extensa da UE – apresenta 1.234 Km de extensão e representa 27% do território ibérico – é apenas ocupada por 8% da população dos dois Estados correspondente a pouco mais de 4 milhões de habitantes.

Para garantir a competitividade das redes urbanas é imperativo potenciar o papel das cidades e as zonas urbanas enquanto fatores de competitividade nacional, pois estas são agregadoras de massa crítica necessária à competitividade. No panorama da competitividade as metrópoles apresentam-se, atualmente, como espaços de investigação e inovação e formação altamente especializada, bem como, interação cultural. Devem por isso desempenhar um papel central no crescimento e na criação de emprego, promovendo ao mesmo tempo a internacionalização, competitividade e coesão de toda a base territorial do país.

Com o objetivo de promover a competitividade e coesão dos territórios de baixa densidade, é preciso alterar o mindset atual que considera estes territórios como territórios problema, para considerar estes espaços como zonas de oportunidades. Alavancando este desenvolvimento nas novas metodologias de trabalho que proporcionam novas e excitantes oportunidade para atrair e reter pessoas, sem esquecer o potencial endógeno destes territórios em termos de recursos geológicos, naturais, patrimoniais e culturais. Relativamente aos recursos naturais é de ressalvar que, estes devem ser explorados de forma criteriosa minimizando-se sempre os impactos sobre a fauna e flora nativa destes territórios. É importante não esquecer este Portugal ainda desconhecido para a maioria dos portugueses e europeus, que se apresenta como uma terra de oportunidades excitantes. Contudo, para que este desenvolvimento aconteça é importante conectar estas terras de oportunidades com o resto da península ibérica e o centro da Europa.

Portugal tem sob sua jurisdição cerca de 50 % das massas de águas marinhas do mar pan-europeu e cerca de 50 % dos respetivos solos e subsolos marinhos. Com uma localização estratégica privilegiada na interseção das principais rotas mundiais Norte/Sul Este/Oeste. Esta posição estratégica na faixa Atlântica deve ser aproveitada para a projeção da economia portuguesa na economia global. Portugal não se deve limitar a desenvolver as suas infraestruturas portuárias, devendo diferenciar-se afirmando os seus portos como plataformas logísticas globais dos grandes operadores mundiais e da sua transformação em hubs aceleradores de negócios e tecnologia, eficientes, inteligentes e sustentáveis, liderando a inovação no green shipping. As regiões autónomas devem ser incluídas na projeção da faixa atlântica pois potenciam de forma muito vincada a dimensão atlântica do país.  Se no passado já fomos capazes de impulsionar a influência portuguesa por todo o mundo fruto desta posição estratégica devemos agora replicá-lo, utilizando as tecnologias do século XXI criadas em Portugal.

A Frederico Mendes & Associados tem sido uma força motriz para potenciar a competitividade das empresas portuguesas externamente e para gerar e estreitar a coesão internamente, pois através das medidas de apoio da Internacionalização das PME e do Programa +CO3SO, oferece a oportunidade às empresas nacionais de crescerem neste sentido.

A medida da Internacionalização de PME tem como objetivo apoiar projetos de investimento que reforcem a competitividade das empresas, promovam o aumento da exportação de produtos com alta intensidade tecnológica, e incentivam a inserção nas cadeias de valor internacionais.  O Programa +CO3SO, que teve lugar no último Quadro Comunitário do Portugal 2020, permite a criação de condições para o desenvolvimento social e económico dos territórios portugueses, com promoção de emprego qualificado e inovação e transferência de tecnologia.

Bruno Carvalho | Innovation Team