Estratégia Portugal 2030

Agenda da Transição Climática e Sustentabilidade dos Recursos

A Agenda da Transição Climática e Sustentabilidade dos Recursos está focada na transição climática, na sustentabilidade e no uso eficiente de recursos, promovendo a economia circular e respondendo ao desafio da transição energética e à resiliência do território.

Assumem-se como objetivos para 2030 reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE) em 45% a 55% face a 2005; aumentar para 47% do peso das energias renováveis no consumo final bruto de energia; reduzir em 35% o consumo de energia primária, e aumentar a capacidade de sequestro de carbono.

Para atingir estes objetivos é fundamental o reforço da capacidade de transferência de conhecimento das entidades não empresariais do Sistema de I&I para a Indústria garantindo uma maior aproximação aos centros de conhecimento da envolvente empresarial, para potenciar a valorização económica dos resultados de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) e o efeito multiplicador da inovação e do conhecimento.

Portugal continua a apresentar níveis de intensidade carbónica elevados, desde logo devido à elevada intensidade energética nos diferentes setores. A Indústria portuguesa assume parcelas elevadas das emissões de GEE, refletindo ineficiência do aparelho produtivo e uma ainda elevada dependência de combustíveis fósseis. Desde logo verificamos que existe a necessidade de sermos mais eficazes ao nível da recirculação das matérias-primas secundárias e subprodutos, garantindo uma maior qualidade dos fluxos de materiais que permita taxas de reciclagem e de circularidade mais elevadas, dinamizando a recolha diferenciada (e. g. recolha seletiva porta -a -porta, biorresíduos, embalagens, papel/cartão, vidro, têxteis, resíduos domésticos perigosos), reforçando os pontos e centros de recolha de resíduos, disponibilizando soluções de reciclagem na origem para os biorresíduos, na reconversão dos equipamentos de tratamento mecânico e tratamento químico e biológico (phase out em 2027) e infraestruturas de valorização de resíduos orgânicos (e. g. centrais de valorização orgânica com aproveitamento do biogás).

A formação de ecossistemas de inovação que envolvam os principais players das cadeia de valor das diversas indústrias dos vários setores de atividade – desde produtores de plásticos e matérias-primas químicas, transformadores, recicladores, brand-owners, distribuidores e retalhistas e agentes de gestão e tratamento de resíduos – tendo como objetivo a transição das cadeias de valor lineares para cadeias de valor circulares, a redução das emissões de gases com efeito de estufa, maior eficiência de recursos e a criação de emprego continua a ser fundamental para a alavancagem da transição dos vários setores de atividades para uma economia mais circular e neutra em carbono.

As Entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional tem neste âmbito um papel preponderante de desafio às empresas na apresentação das tendências da investigação fundamental e aplicada realizada internamente para futuros desenvolvimentos experimentais, que possibilitem elevar o nível de maturidade tecnológica dessas tecnologias, no apoio científico à realização de Scale-up para uma escala piloto ou semi-industrial e no apoio às empresas na delineação de estratégias I&D e Inovação, orientadas à Economia Circular e Descarbonização da Indústria.

A Frederico Mendes & Associados tem colaborado com empresas em diversos setores de atividade, especialmente com o setor dos plásticos, na definição de ações que visem diminuir a produção e o consumo de produtos descartáveis, assegurar a circularidade dos materiais e produtos desenvolvidos, aumentar o potencial de reciclagem, desenvolver novas matérias-primas, por via de fontes alternativas e renováveis, e no desenvolvimento de novos modelos de negócio.

Um caso de sucesso é a iniciativa “Better Plastics: Plastics in a Circular Economy”. Este projeto, único em Portugal, é considerado o projeto mobilizador do setor dos plásticos para a economia circular em Portugal, envolvendo 52 entidades, um investimento de 6,3 milhões de euros e propondo o desenvolvimento de 4 dezenas de produtos, materiais e sistemas tecnológicos inovadores para a Indústria do Setor dos Plásticos.

Outro exemplo de sucesso da mobilização do setor privado juntamente com as autoridades nacionais, as universidades e os cidadãos, contribuindo desse modo para os objetivos da Economia Circular Europeia é a Agenda Verde “SUSTAINABLE PLASTICS – Agenda Mobilizadora para os Plásticos Sustentáveis”. Esta Agenda encontra-se a concurso para financiamento na Fase 2 do Aviso RE-CO5-i01.02: Agenda Verde para a Inovação Empresarial, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e envolve um consórcio de 51 entidades, que representam todos os agentes da nova cadeia de valor da Indústria dos Plásticos (produtores de materiais plásticos e matérias-primas, transformadores, brand-owners, retalhistas e distribuidores, agentes da gestão de resíduos, entre muitos outros), e um investimento superior a 48 milhões de euros.

No futuro continuaremos a observar a disponibilização de instrumentos de financiamento europeus, como o Mecanismo Interligar a Europa, o Invest EU, o Horizonte Europa, o Programa Life e o Programa Europa Digital, bem como de instrumentos de financiamento nacionais, como o Portugal 2030, o Programa de Recuperação e Resiliência, o Fundo Ambiental, o Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia Circular ou os benefícios fiscais ao investimento, orientados à temática da Transição Climática e Sustentabilidade dos Recursos.

Pedro Pastor | Head of Innovation